A língua sofre variação entre as telenovelas e minisséries. A diversidade da língua também se faz presente em uma mesma trama. Afinal, a linguagem tem que ser entendida por quem assiste e, assim, a norma culta não pode ser adotada como única nas falas dos personagens, até mesmo porque os personagens não possuem o mesmo grau de instrução.
A novela Cordel Encantado (Rede Globo, 2011) traz uma linguagem carregada no falar do sertanejo e outra mais rebuscada na Corte de Seráfia. Um exemplo simples, é o uso dos termos “mainha” e “painho”, usados pela protagonista Açucena (Bianca Bin) e a sofisticação das falas do Rei Augusto (Carmo Dalla Vecchia). Por meio da personagem Maria Cesária (Lucy Ramos), nota-se uma preocupação em falar correto para ser aceita pelos outros, principalmente pelos representantes da “elite”.
Outro fato a ser analisado é a aceitação e uso popular de alguns termos e jargões das novelas. Em O Clone (Rede Globo, 2001), Dona Jura (Solange Couto) trouxe “Não é brinquedo, não!” e Odete (Mara Manzan) popularizou “Cada mergulho é um flash”. Em Roque Santeiro (Rede Globo, 1985), Senhorzinho Malta (Lima Duarte) expressava “Tô certo ou to errado?”, já em Caras e Bocas (Rede Globo, 2009), Bianca (Isabelle Drumond) traz “É a treva!”. E vários outros jargões surgem e se popularizam na língua.
Há também as diferenças entre a linguagem adotada pelas telenovelas. Em Malhação (Rede Globo) e Rebelde (Rede Record), a língua é mais moderna e impregnada de gírias com o intuito de atrair e fazer parte do mundo jovem. Já em Insensato Coração (Rede Globo, 2011), percebe-se uma linguagem menos diversa e mais sofisticada, pois o objetivo agora é atrair os adultos e há personagens que exigem um rebuscamento maior em suas falas, porém de forma que o público entenda. É notável a diferença entre Macho Man (Rede Globo, 2011), A Mulher Invisível (Rede Globo, 2011), com uma linguagem mais popular, e A Casa das Sete Mulheres (Rede Globo, 2003) e JK (Rede Globo, 2006), que trazem uma língua mais complexa até mesmo por representarem uma história do passado.
Nos vídeos abaixo, ficará clara a diferença entre as linguagens utilizadas nas novelas que atingem públicos diferentes. O primeiro vídeo é de Malhação ID (Rede Globo, 2009) e o segundo de Insensato Coração (Rede Globo, 2011).
Entretanto, todas as tramas apresentam um ponto comum: não adotar unicamente a norma culta. A língua apresenta variações que fazem parte de fato do uso popular e, assim, precisam estar presentes nas telenovelas e minisséries para que haja o entendimento do público. É uma questão até de mercado trazer uma linguagem de fácil compreensão, afinal, quantos falam de acordo com o padrão culto? Dessa forma, pode-se afirmar que existe, sim, variação lingüística também nas telenovelas e minisséries tão presentes na vida dos brasileiros, pois a língua também é algo cultural e faz parte do cotidiano das pessoas.
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terça-feira, 5 de julho de 2011
A INFLUÊNCIA DAS TELENOVELAS SOBRE OS TELESPECTADORES
O hábito de assistir televisão tornou-se, praticamente, um ritual nos lares brasileiros. Cultuada, a novela dita moda, linguagem, hábitos e contribui para a alienação de seu público. A imagem de um “mundo perfeito” mostrada nas novelas dá uma visão distorcida da realidade. Os padrões difundidos são copiados e seguidos, porém, as pessoas não conseguem adaptá-los a uma vida real, o que gera ansiedade, angústia e frustração. É construída, então, uma imagem ilusória de um mundo perfeito, romântico, mas irreal. O costume de assistir novelas se estabeleceu a partir do momento em que o público foi se identificando com os personagens da trama, podendo essa influência ajudar, como novelas que trazem hábitos saudáveis e de boa conduta, ou influenciar de maneira ruim, como aquelas que espetacularizam a violência. Com a abordagem de temas mais polêmicos, as pessoas sentem mais liberdade de criticar e expor suas opiniões a respeito de determinados assuntos, que antes eram considerados tabus.
Espelhando-se nos protagonistas, os jovens os idolatram. Os galãs de novela são para as meninas os estereótipos de homem perfeito e para os rapazes os modelos a ser seguido. O mesmo acontece com as meninas, observam as atrizes e buscam seguir seu estereótipo, o que significa um risco para sociedade, principalmente quando se trata de adolescente. A televisão tem significativa importância no comportamento de seus telespectadores. O problema não é assistir à telenovela, mas é necessário o desenvolvimento de um senso crítico que nos permita escapar do mundo fantasioso criado pela teledramaturgia. O povo precisa de valores reais para viver uma vida real.
As tramas possuem um poder de entretenimento absolutamente incontestável. Sobre a influência das telenovelas, os telespectadores mudam de comportamento, modificando ou criando costumes. Além da história envolvida nas novelas, as roupas, os acessórios e os tipos de cabelos utilizados pelos personagens fazem um grande sucesso e são capazes de ditar moda. Geralmente, tem algo que chama atenção para as mulheres ter ou fazer igual. As novelas que mais costumam fazer sucesso, em termos de lançar moda, são aquelas como O Clone (Rede Globo, 2001), que trouxe a moda de acessórios de origem árabe, Caminho das Índias (Rede Globo, 2009), que mostra a cultura do povo indiano, com seus casamentos arranjados e seus belos figurinos, túnicas, lenços, batas com estampas diferentes, acessórios como brinco, pulseiras e colares também estão fazendo moda. Essa moda caiu no gosto popular e as mulheres adaptaram esse estilo indiano.
Quando uma expressão curiosa surge num dado programa de televisão e passa a fazer parte da vida do telespectador, ela é chamada de bordão e é inserida na maneira de agir das pessoas. O prazer específico de usar um bordão do momento faz com que as pessoas se sintam mais familiarizadas ou identificadas com o personagem que o popularizou. Foi o que aconteceu na novela Paraíso Tropical (Rede Globa, 2007) com a prostituta Bebel, personagem interpretado por Camila Pitanga. Com seu jeito irreverente e único, sua "catiguria" vai ficar marcada na memória do público que acompanhava a novela. Em Roque Santeiro (Rede Globo, 1986), nervoso, o marcante Sinhozinho Malta (Lima Duarte) sacudia as pulseiras e dizia "Tô certo ou tô errado?". "Cada mergulho é um flash!", dizia a personagem Odete (Mara Manzan), em O Clone (Rede Globo, 2001). Também em O Clone, Solange Couto deu vida à famosa Dona Jura, e junto com ela trouxe para a telinha um dos bordões mais famosos dos folhetins. "Não é brinquedo não!", repetia constantemente a dona do bar mais famoso de São Cristóvão. Na novela Chocolate com Pimenta (Rede Globo, 2004), Márcia, vivida pela atriz Drica Moraes, criou o bordão "Sou chique, benhê!". Divertida e espevitada, a personagem Elzinha (Leandra Leal), da novela Ciranda de Pedra (Rede Globo, 2008), caiu no gosto popular. Ela era louca para arranjar um marido rico e se achar muito chique. Afinal, Elzinha é "biscoito fino". Em Senhora do Destino (Rede Globo, 2005), Giovanni Improtta (José Wilker) teve grande repercussão com dois famosos bordões “O tempo ruge, e a Sapucaí é grande” e “felomenal”. Entre tantos outros.
No Brasil, a moda das ruas é altamente influenciada pelas novelas, como será citado mais adiante, no tópico “A NOVELA COMO DISSEMINADORA E CRIADORA DE MODA”. O que aparece na telinha vira moda quase que instantaneamente, não importa o que as tendências ditem. Este é um fenômeno cultural tão presente no país que até já despertou o interesse e foi tema de pesquisas internacionais. Entre tantos podemos destacar: Giuliana (Ana Paula Arósio) com seus xales e lenços de crochê exibidos na novela Terra Nostra (Rede Globo, 1999); Bebel (Camila Pitanga) com brincos, um maior que o outro, exibidos em Paraíso Tropical (Rede Globo, 2007); Silvia (Alinne Moraes) com corte de cabelo com franja e tom castanho avermelhado na novela Duas Caras (Rede Globo, 2007).
Alguns telespectadores não separam o real da ficção, confundindo muitas vezes o ator com personagem que ele interpreta, isso fica evidente com o episódio que aconteceu com o ator Jackson Antunes. No sítio onde mora, próximo a Teresópolis, cidade da Região Serrana Fluminense, Jackson Antunes tem a tranqüilidade que gosta para levar a vida. É um homem extremamente pacífico no lidar com a família, no jeito de ser e até no de falar. Mas o senhor que o empurrou e o machucou há alguns dias em plena rua só tinha em mente o violento Leonardo, personagem que o ator interpretava na época em A Favorita (Rede Globo, 2008). Na novela, Jackson bate em Lilia Cabral, que dá vida à submissa Catarina. Mas foi na realidade que o ator sofreu as conseqüências disso. "Tive uma lesão na perna direita, gravei algumas cenas apoiado na cadeira de rodas e sentindo muita dor", resume. O desagradável episódio passou, mas o personagem continua emocionando Jackson. "Acho oportuno reerguer a discussão sobre a violência doméstica", valoriza. Ele conta que a carga de emoção nas cenas da novela é alta.
Espelhando-se nos protagonistas, os jovens os idolatram. Os galãs de novela são para as meninas os estereótipos de homem perfeito e para os rapazes os modelos a ser seguido. O mesmo acontece com as meninas, observam as atrizes e buscam seguir seu estereótipo, o que significa um risco para sociedade, principalmente quando se trata de adolescente. A televisão tem significativa importância no comportamento de seus telespectadores. O problema não é assistir à telenovela, mas é necessário o desenvolvimento de um senso crítico que nos permita escapar do mundo fantasioso criado pela teledramaturgia. O povo precisa de valores reais para viver uma vida real.
As tramas possuem um poder de entretenimento absolutamente incontestável. Sobre a influência das telenovelas, os telespectadores mudam de comportamento, modificando ou criando costumes. Além da história envolvida nas novelas, as roupas, os acessórios e os tipos de cabelos utilizados pelos personagens fazem um grande sucesso e são capazes de ditar moda. Geralmente, tem algo que chama atenção para as mulheres ter ou fazer igual. As novelas que mais costumam fazer sucesso, em termos de lançar moda, são aquelas como O Clone (Rede Globo, 2001), que trouxe a moda de acessórios de origem árabe, Caminho das Índias (Rede Globo, 2009), que mostra a cultura do povo indiano, com seus casamentos arranjados e seus belos figurinos, túnicas, lenços, batas com estampas diferentes, acessórios como brinco, pulseiras e colares também estão fazendo moda. Essa moda caiu no gosto popular e as mulheres adaptaram esse estilo indiano.
Quando uma expressão curiosa surge num dado programa de televisão e passa a fazer parte da vida do telespectador, ela é chamada de bordão e é inserida na maneira de agir das pessoas. O prazer específico de usar um bordão do momento faz com que as pessoas se sintam mais familiarizadas ou identificadas com o personagem que o popularizou. Foi o que aconteceu na novela Paraíso Tropical (Rede Globa, 2007) com a prostituta Bebel, personagem interpretado por Camila Pitanga. Com seu jeito irreverente e único, sua "catiguria" vai ficar marcada na memória do público que acompanhava a novela. Em Roque Santeiro (Rede Globo, 1986), nervoso, o marcante Sinhozinho Malta (Lima Duarte) sacudia as pulseiras e dizia "Tô certo ou tô errado?". "Cada mergulho é um flash!", dizia a personagem Odete (Mara Manzan), em O Clone (Rede Globo, 2001). Também em O Clone, Solange Couto deu vida à famosa Dona Jura, e junto com ela trouxe para a telinha um dos bordões mais famosos dos folhetins. "Não é brinquedo não!", repetia constantemente a dona do bar mais famoso de São Cristóvão. Na novela Chocolate com Pimenta (Rede Globo, 2004), Márcia, vivida pela atriz Drica Moraes, criou o bordão "Sou chique, benhê!". Divertida e espevitada, a personagem Elzinha (Leandra Leal), da novela Ciranda de Pedra (Rede Globo, 2008), caiu no gosto popular. Ela era louca para arranjar um marido rico e se achar muito chique. Afinal, Elzinha é "biscoito fino". Em Senhora do Destino (Rede Globo, 2005), Giovanni Improtta (José Wilker) teve grande repercussão com dois famosos bordões “O tempo ruge, e a Sapucaí é grande” e “felomenal”. Entre tantos outros.
No Brasil, a moda das ruas é altamente influenciada pelas novelas, como será citado mais adiante, no tópico “A NOVELA COMO DISSEMINADORA E CRIADORA DE MODA”. O que aparece na telinha vira moda quase que instantaneamente, não importa o que as tendências ditem. Este é um fenômeno cultural tão presente no país que até já despertou o interesse e foi tema de pesquisas internacionais. Entre tantos podemos destacar: Giuliana (Ana Paula Arósio) com seus xales e lenços de crochê exibidos na novela Terra Nostra (Rede Globo, 1999); Bebel (Camila Pitanga) com brincos, um maior que o outro, exibidos em Paraíso Tropical (Rede Globo, 2007); Silvia (Alinne Moraes) com corte de cabelo com franja e tom castanho avermelhado na novela Duas Caras (Rede Globo, 2007).
Alguns telespectadores não separam o real da ficção, confundindo muitas vezes o ator com personagem que ele interpreta, isso fica evidente com o episódio que aconteceu com o ator Jackson Antunes. No sítio onde mora, próximo a Teresópolis, cidade da Região Serrana Fluminense, Jackson Antunes tem a tranqüilidade que gosta para levar a vida. É um homem extremamente pacífico no lidar com a família, no jeito de ser e até no de falar. Mas o senhor que o empurrou e o machucou há alguns dias em plena rua só tinha em mente o violento Leonardo, personagem que o ator interpretava na época em A Favorita (Rede Globo, 2008). Na novela, Jackson bate em Lilia Cabral, que dá vida à submissa Catarina. Mas foi na realidade que o ator sofreu as conseqüências disso. "Tive uma lesão na perna direita, gravei algumas cenas apoiado na cadeira de rodas e sentindo muita dor", resume. O desagradável episódio passou, mas o personagem continua emocionando Jackson. "Acho oportuno reerguer a discussão sobre a violência doméstica", valoriza. Ele conta que a carga de emoção nas cenas da novela é alta.
TELENOVELAS COMO VEÍCULOS INFORMATIVOS
As novelas têm grande importância no que se refere a dispor informação ao público sobre diferentes aspectos, funcionando dessa forma como verdadeiro veículo informativo. Permitindo que os telespectadores obtenham conhecimento sobre determinado assunto, ela também alerta a muitos problemas reais da nossa sociedade, fazendo com que as pessoas abram os olhos e dê soluções aos seus problemas.
Na novela Caminho das Índias (Rede Globo, 2009), foi mostrado o cotidiano de portadores de doenças mentais. Os personagens são, na maior parte das vezes, mostrados em uma clínica, com acompanhemento de profissionais, e irão mostrar suas habilidades individuais em bandas, trabalhos artísticos e computação. Também foram abordadas as classes sociais a partir deste tema. Na trama é mostrado que as classes mais baixas fazem mais inclusão dos portadores de doença mental na sociedade do que as altas, que tentam esconder familiares com o problema.
Quem não se lembra da personagem Camila (Carolina Dieckman), da novela Laços de Família (Rede Globo, 2000)? Foi o papel mais difícil da carreira da atriz, segundo a mesma, que teve que raspar o cabelo em cena para mostrar a realidade de uma pessoa com leucemia. Permitindo que o público conhecesse o desenvolvimento da doença e o tratamento existente para essa, mostra também que a doença torna-se fatal sem o tratamento adequado.
Outra personagem que nos alertou de um problema real, o qual não era muito discutido foi o papel de Pérola Faria em Páginas da Vida (Rede Globo, 2006). A jovem atriz vivia Giselle, uma garota pressionada pela mãe a ser bailarina e também proibida de engordar e com tanta pressão a menina desenvolveu um sério quadro de bulimia. As cenas levaram os pais brasileiros a refletirem e observarem o comportamento de seus filhos, acabando assim a diagnosticar vários casos da doença em sua família.
Outra personagem que abordou um assunto bastante frequente e sério entre a população brasileira, o uso de drogas, foi a atriz Débora Falabella na novela O Clone (Rede Globo, 2001). Débora deu vida a Mel, uma jovem dependente química. A novela mostrou o drama de uma pessoa que opta por esse caminho, perdendo seus amigos, familiares e a dignidade, pois Mel acabou até sendo presa por porte de drogas e colocando sua família em risco por conta do vício. Após uma forte crise de abstinência, na qual quebrou o seu quarto inteiro, Mel foi levada a uma clinica de reabilitação.
Outra personagem que fez o Brasil inteiro ter raiva foi Nazaré (Renata Sorrah), uma das maiores vilãs da TV brasileira na novela Senhora do Destino (Rede Globo, 2004). Ela cometeu o crime pelo simples fato de querer que seu amante a assumisse, já que era uma mulher da vida. Sequestrou Lindalva (Carolina Dieckman) para poder inventar uma falsa gravidez e assim conseguir ficar com o homem.
Marcos Frota também viveu um problema real na novela América (Rede Globo, 2005), defendendo o direito dos cegos com o personagem Jatobá. Na mesma trama foi mostrado o problema de Haydée (Christiane Torloni), que era uma mulher elegante, influente, mas também cleptomaníaca. Ainda na novela América o público pôde conhecer os entraves que existe em emigrar para outros países em busca do sonho de uma vida melhor financeiramente, foi mostrada a realidade de pessoas que optaram por esse sonho e as dificuldades enfrentados por estes.
A personagem Luciana (Alinne Moraes), em Viver a Vida (Rede Globo, 2009), interpreta uma modelo que se torna tetraplégica e busca adaptar-se a sua nova realidade. Mostra ao público que é sim possível ter uma vida normal ainda que esteja em cima de uma cadeira de rodas. A personagem trabalha, casa e tem filhos. São mostrados os tratamentos possíveis para uma pessoa nesse estado e o desenvolvimento que ocorre. Enfatiza também as dificuldades enfrentadas por deficientes físicos na sociedade.
O câncer de mama foi abordado na novela História de Amor (Rede Globo, 1995), que considerou importante tratar da questão no horário das 18h, dominado pelo público feminino. Através da personagem Marta (Bia Nunes), que luta contra a doença, a novela reforçou as campanhas de prevenção e conscientização. Enquanto a novela esteve no ar, registrou-se o aumento no número de exames preventivos. A mastectomia (cirurgia de retirada da mama) e o apoio familiar às vítimas do câncer foram alguns dos assuntos tratados pelo autor.
Corpo Santo (Rede Manchete, 1987) foi a primeira novela a retratar a AIDS. Enfim, a televisão brasileira vai tocar num assunto que está mexendo com a cabeça de todo mundo. A novela Corpo Santo mostra a primeira personagem aidética do vídeo brasileiro. A prostituta Marina (Eliene Narduchi), vai ao médico, desconfiada de um gânglio que apareceu no seu pescoço, e horas depois todos os seus amigos já sabem que Marina pegou a doença. O preconceito é tão grande que, um mês antes de o capítulo ir ao ar, a divulgação da notícia na Revista Amiga transformou a vida de Eliene Narduchi num inferno. Os vizinhos deixaram de falar com ela, passaram a mudar de calçada quando a encontram na rua e mesmo alguns atores criticaram sua decisão de aceitar o papel. A atriz ficou perplexa com essas reações. "Acho que já estava na hora de falar da AIDS e quando o Louzeiro (um dos autores da novela) me chamou, aceitei na hora." A partir desta, várias outras novelas abordaram o assunto, falando de prevenção e tratamentos. Novelas direcionadas ao público jovem, como Malhação, já abordou o assunto, no ano de 2000 com a personagem Érica (Sâmara Felippo), que adquiriu o vírus após uma relação sexual sem preservativo.
As novelas têm incentivado o uso da camisinha em seus capítulos. A novela Insensato Coração (Rede Globo, 2011) abordou o assunto com o casal Alice (Paloma Bernardi) e Vinícius (Thiago Martins). Alice é uma menina doce, mas nada ingênua. Quando ela começa a namorar Vinícius, ele propõe que eles transem sem camisinha. Ela nega.
Na novela Caminho das Índias (Rede Globo, 2009), foi mostrado o cotidiano de portadores de doenças mentais. Os personagens são, na maior parte das vezes, mostrados em uma clínica, com acompanhemento de profissionais, e irão mostrar suas habilidades individuais em bandas, trabalhos artísticos e computação. Também foram abordadas as classes sociais a partir deste tema. Na trama é mostrado que as classes mais baixas fazem mais inclusão dos portadores de doença mental na sociedade do que as altas, que tentam esconder familiares com o problema.
Quem não se lembra da personagem Camila (Carolina Dieckman), da novela Laços de Família (Rede Globo, 2000)? Foi o papel mais difícil da carreira da atriz, segundo a mesma, que teve que raspar o cabelo em cena para mostrar a realidade de uma pessoa com leucemia. Permitindo que o público conhecesse o desenvolvimento da doença e o tratamento existente para essa, mostra também que a doença torna-se fatal sem o tratamento adequado.
Outra personagem que nos alertou de um problema real, o qual não era muito discutido foi o papel de Pérola Faria em Páginas da Vida (Rede Globo, 2006). A jovem atriz vivia Giselle, uma garota pressionada pela mãe a ser bailarina e também proibida de engordar e com tanta pressão a menina desenvolveu um sério quadro de bulimia. As cenas levaram os pais brasileiros a refletirem e observarem o comportamento de seus filhos, acabando assim a diagnosticar vários casos da doença em sua família.
Outra personagem que abordou um assunto bastante frequente e sério entre a população brasileira, o uso de drogas, foi a atriz Débora Falabella na novela O Clone (Rede Globo, 2001). Débora deu vida a Mel, uma jovem dependente química. A novela mostrou o drama de uma pessoa que opta por esse caminho, perdendo seus amigos, familiares e a dignidade, pois Mel acabou até sendo presa por porte de drogas e colocando sua família em risco por conta do vício. Após uma forte crise de abstinência, na qual quebrou o seu quarto inteiro, Mel foi levada a uma clinica de reabilitação.
Outra personagem que fez o Brasil inteiro ter raiva foi Nazaré (Renata Sorrah), uma das maiores vilãs da TV brasileira na novela Senhora do Destino (Rede Globo, 2004). Ela cometeu o crime pelo simples fato de querer que seu amante a assumisse, já que era uma mulher da vida. Sequestrou Lindalva (Carolina Dieckman) para poder inventar uma falsa gravidez e assim conseguir ficar com o homem.
Marcos Frota também viveu um problema real na novela América (Rede Globo, 2005), defendendo o direito dos cegos com o personagem Jatobá. Na mesma trama foi mostrado o problema de Haydée (Christiane Torloni), que era uma mulher elegante, influente, mas também cleptomaníaca. Ainda na novela América o público pôde conhecer os entraves que existe em emigrar para outros países em busca do sonho de uma vida melhor financeiramente, foi mostrada a realidade de pessoas que optaram por esse sonho e as dificuldades enfrentados por estes.
A personagem Luciana (Alinne Moraes), em Viver a Vida (Rede Globo, 2009), interpreta uma modelo que se torna tetraplégica e busca adaptar-se a sua nova realidade. Mostra ao público que é sim possível ter uma vida normal ainda que esteja em cima de uma cadeira de rodas. A personagem trabalha, casa e tem filhos. São mostrados os tratamentos possíveis para uma pessoa nesse estado e o desenvolvimento que ocorre. Enfatiza também as dificuldades enfrentadas por deficientes físicos na sociedade.
O câncer de mama foi abordado na novela História de Amor (Rede Globo, 1995), que considerou importante tratar da questão no horário das 18h, dominado pelo público feminino. Através da personagem Marta (Bia Nunes), que luta contra a doença, a novela reforçou as campanhas de prevenção e conscientização. Enquanto a novela esteve no ar, registrou-se o aumento no número de exames preventivos. A mastectomia (cirurgia de retirada da mama) e o apoio familiar às vítimas do câncer foram alguns dos assuntos tratados pelo autor.
Corpo Santo (Rede Manchete, 1987) foi a primeira novela a retratar a AIDS. Enfim, a televisão brasileira vai tocar num assunto que está mexendo com a cabeça de todo mundo. A novela Corpo Santo mostra a primeira personagem aidética do vídeo brasileiro. A prostituta Marina (Eliene Narduchi), vai ao médico, desconfiada de um gânglio que apareceu no seu pescoço, e horas depois todos os seus amigos já sabem que Marina pegou a doença. O preconceito é tão grande que, um mês antes de o capítulo ir ao ar, a divulgação da notícia na Revista Amiga transformou a vida de Eliene Narduchi num inferno. Os vizinhos deixaram de falar com ela, passaram a mudar de calçada quando a encontram na rua e mesmo alguns atores criticaram sua decisão de aceitar o papel. A atriz ficou perplexa com essas reações. "Acho que já estava na hora de falar da AIDS e quando o Louzeiro (um dos autores da novela) me chamou, aceitei na hora." A partir desta, várias outras novelas abordaram o assunto, falando de prevenção e tratamentos. Novelas direcionadas ao público jovem, como Malhação, já abordou o assunto, no ano de 2000 com a personagem Érica (Sâmara Felippo), que adquiriu o vírus após uma relação sexual sem preservativo.
As novelas têm incentivado o uso da camisinha em seus capítulos. A novela Insensato Coração (Rede Globo, 2011) abordou o assunto com o casal Alice (Paloma Bernardi) e Vinícius (Thiago Martins). Alice é uma menina doce, mas nada ingênua. Quando ela começa a namorar Vinícius, ele propõe que eles transem sem camisinha. Ela nega.
PROPAGANDA
Com tamanho alcance e poder de influencia, existe melhor lugar para se fazer propaganda do que numa novela? Não é a toa que as grandes marcas pagam muito mais caro para que os seus produtos sejam citados durante a trama.
Se divulgar um produto no intervalo da novela já custa caro, imagina o quanto custa ter a Marina Drummond (Paola Oliveira) falando da nova embalagem do Sonho de Valsa na novela das 8, Insensato Coração (Rede Globo, 2011)? Ainda nessa novela, Carolina (Camila Pitanga) sempre fala que o seu filho só usa fraldas da marca Pampers e André (Lázaro Ramos) vive elogiando as embalagens de material reciclado da perfumaria Natura.
Em Escrito nas Estrelas (Rede Globo, 2010), Beatriz (Débora Falabella) só queria as mesmas fraldas Pampers para o seu futuro herdeiro, assim como a protagonista Viviane (Nathália Dill).
Na novela Ti Ti Ti (Rede Globo, 2010), Victor Valentim (Murílo Benício) lançou um batom com o nome da trama. As mulheres que o usavam seduziam instantaneamente qualquer homem que estive passando, que não resistiam e corriam para beijá-las. Foi assim que a Avon, em parceria com a telenovela, vendeu muitos batons de mesmo nome.
Entrando um pouco no próximo tópico do nosso trabalho, a MODA, quantos comentários ouvimos sobre a bolsa da grife Gainna que Jaqueline (Cláudia Raia) usava em alguns episódios de Ti Ti Ti? Quantas meninas não desejaram o pingente em forma de cavalo da veterinária Manuela (Milena Toscano) em Araguaia (Rede Globo, 2010)?
Aqueles poucos segundos em que grandes atores citam certa marca na novela fazem toda a diferença nas vendas dos produtos. Se pararmos para analisar, é comum mudarmos as nossas preferências por conta da propaganda. É por isso que dizem que “a propaganda é alma do negócio”.
Se divulgar um produto no intervalo da novela já custa caro, imagina o quanto custa ter a Marina Drummond (Paola Oliveira) falando da nova embalagem do Sonho de Valsa na novela das 8, Insensato Coração (Rede Globo, 2011)? Ainda nessa novela, Carolina (Camila Pitanga) sempre fala que o seu filho só usa fraldas da marca Pampers e André (Lázaro Ramos) vive elogiando as embalagens de material reciclado da perfumaria Natura.
Em Escrito nas Estrelas (Rede Globo, 2010), Beatriz (Débora Falabella) só queria as mesmas fraldas Pampers para o seu futuro herdeiro, assim como a protagonista Viviane (Nathália Dill).
Na novela Ti Ti Ti (Rede Globo, 2010), Victor Valentim (Murílo Benício) lançou um batom com o nome da trama. As mulheres que o usavam seduziam instantaneamente qualquer homem que estive passando, que não resistiam e corriam para beijá-las. Foi assim que a Avon, em parceria com a telenovela, vendeu muitos batons de mesmo nome.
Entrando um pouco no próximo tópico do nosso trabalho, a MODA, quantos comentários ouvimos sobre a bolsa da grife Gainna que Jaqueline (Cláudia Raia) usava em alguns episódios de Ti Ti Ti? Quantas meninas não desejaram o pingente em forma de cavalo da veterinária Manuela (Milena Toscano) em Araguaia (Rede Globo, 2010)?
Aqueles poucos segundos em que grandes atores citam certa marca na novela fazem toda a diferença nas vendas dos produtos. Se pararmos para analisar, é comum mudarmos as nossas preferências por conta da propaganda. É por isso que dizem que “a propaganda é alma do negócio”.
A NOVELA COMO DISSEMINADORA E CRIADORA DE MODA
Voltando ao assunto anterior, o poder da PROPAGANDA nas novelas é tão grande, a influência que exerce sobre a moda, criando-a ou disseminando-a é tão evidente, que a Rede Globo lançou um site, o Globo Marcas, no qual vende quase todos os objetos que seus personagens, apresentadores e participantes de reality shows usam.
Ainda em 2011 os jovens usam as roupas coloridas lançadas por Bernardo (Fiuk) em Malhação ID (Rede Globo, 2010). Este personagem criou um novo estilo entre os adolescentes, que antes se vestiam de preto e se auto-intitulavam “emos”.
Talvez a moda seja a forma mais direta e mais perceptível de influencia das novelas, já que o resultado é imediato. E é só a novela acabar e outra ser posta no seu lugar para que aquela moda vire passado, dando lugar a uma nova tendência, imposta por uma nova celebridade.
Quantas outras novelas gravaram suas cenas em locais exóticos, muitas vezes até desconhecidos da maioria dos brasileiros, e fizeram com que o número de visitações aumentasse bruscamente?
Quantas jovens de 20 e poucos anos não encurtaram suas franjas para o meio da testa e usaram rabo de cavalo como Maria do Carmo (Regina Duarte) em Rainha da Sucata (Rede Globo, 1990)?
Muitas jovens apostaram também nos cabelos loiros, quase brancos, como os da Leona (Carolina Dieckmann) em Cobras & Lagartos (Rede Globo, 2006).
Todas as mulheres, quaisquer que fossem as suas idades, abandonaram o biquíni pequeno e os maiôs para usar o biquíni shortinho como o da Bionda (Mariana Ximenes) em Uga-Uga (Rede Globo, 2000).
Já a Jade (Giovanna Antonelli) lançou a moda do delineador preto nos olhos na novela O Clone (Rede Globo, 2000). Onze anos após sua exibição original, a trama é exibida novamente no programa Vale a Pena Ver de Novo. Este é o motivo da volta da moda do delineador no ano de 2011.
Em 2001, a moda era usar um brinco que cobria toda a orelha, como o que Cuca (Débora Falabella) usava em Um Anjo Caiu do Céu (Rede Globo, 2001) e em 2010 o corte de cabelo mais pedido nos salões do Rio de Janeiro era o da Melina (Mayana Moura) de Passione (Rede Globo, 2010).
Ainda em 2011 os jovens usam as roupas coloridas lançadas por Bernardo (Fiuk) em Malhação ID (Rede Globo, 2010). Este personagem criou um novo estilo entre os adolescentes, que antes se vestiam de preto e se auto-intitulavam “emos”.
A Tereza (Lília Cabral) em Viver a Vida (Rede Globo, 2009) lançou a moda do colar com o pingente do Espírito Santo, a Darlene (Deborah Secco) lançou a moda da saia plissada ou de babados com meias ¾ coloridas na altura dos joelhos em Celebridade (Rede Globo, 2003) e a Babalu (Letícia Spiller) em Quatro por Quatro (Rede Globo, 1994) lançou a moda dos shorts bem curtos.
Talvez a moda seja a forma mais direta e mais perceptível de influencia das novelas, já que o resultado é imediato. E é só a novela acabar e outra ser posta no seu lugar para que aquela moda vire passado, dando lugar a uma nova tendência, imposta por uma nova celebridade.
Mas a moda vai muito além de roupas, acessórios e visual. As novelas também têm o poder de atrair o turismo para os cenários de suas tramas, fazendo com o que lugar vire moda também.
Enquanto a novela Pantanal (Rede Manchete, 1990) estava no ar, o turismo do Pantanal do Sul Matogrossense aumentou de forma incrível, tornando necessária a implantação do turismo ecológico na região, fazendo com que a economia local crescesse. Quando foi reprisada no ano de 2008 pela Rede SBT, o turismo no Pantanal voltou a crescer, gerando emprego e lucro para a população pantaneira mais uma vez.
A novela Gabriela (Rede Globo, 1975) trouxe muito mais turismo à Ilhéus do que o livro Gabriela, Cravo e Canela, romance do escritor Jorge Amado, do qual foi adaptada.
As praias Morro Branco e Praia das Fontes do Ceará até hoje atraem turistas por conta das novelas Final Feliz (Rede Globo, 1982) e Tropicaliente (Rede Globo, 1994). Na segunda, uma cena em que Açucena (Carolina Dieckmann) toma um banho de forma sensual na gruta de pedras Mãe D’água fez com que a mesma seja um dos pontos mais procurados das praias cearenses.
Quantas outras novelas gravaram suas cenas em locais exóticos, muitas vezes até desconhecidos da maioria dos brasileiros, e fizeram com que o número de visitações aumentasse bruscamente?
As novelas, portanto, têm também o poder de atrair turismo, fazer com que qualquer lugar que deseje vire moda, passe de lugar desconhecido ou ignorado a destino de muitos turistas.
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