O hábito de assistir televisão tornou-se, praticamente, um ritual nos lares brasileiros. Cultuada, a novela dita moda, linguagem, hábitos e contribui para a alienação de seu público. A imagem de um “mundo perfeito” mostrada nas novelas dá uma visão distorcida da realidade. Os padrões difundidos são copiados e seguidos, porém, as pessoas não conseguem adaptá-los a uma vida real, o que gera ansiedade, angústia e frustração. É construída, então, uma imagem ilusória de um mundo perfeito, romântico, mas irreal. O costume de assistir novelas se estabeleceu a partir do momento em que o público foi se identificando com os personagens da trama, podendo essa influência ajudar, como novelas que trazem hábitos saudáveis e de boa conduta, ou influenciar de maneira ruim, como aquelas que espetacularizam a violência. Com a abordagem de temas mais polêmicos, as pessoas sentem mais liberdade de criticar e expor suas opiniões a respeito de determinados assuntos, que antes eram considerados tabus.
Espelhando-se nos protagonistas, os jovens os idolatram. Os galãs de novela são para as meninas os estereótipos de homem perfeito e para os rapazes os modelos a ser seguido. O mesmo acontece com as meninas, observam as atrizes e buscam seguir seu estereótipo, o que significa um risco para sociedade, principalmente quando se trata de adolescente. A televisão tem significativa importância no comportamento de seus telespectadores. O problema não é assistir à telenovela, mas é necessário o desenvolvimento de um senso crítico que nos permita escapar do mundo fantasioso criado pela teledramaturgia. O povo precisa de valores reais para viver uma vida real.
As tramas possuem um poder de entretenimento absolutamente incontestável. Sobre a influência das telenovelas, os telespectadores mudam de comportamento, modificando ou criando costumes. Além da história envolvida nas novelas, as roupas, os acessórios e os tipos de cabelos utilizados pelos personagens fazem um grande sucesso e são capazes de ditar moda. Geralmente, tem algo que chama atenção para as mulheres ter ou fazer igual. As novelas que mais costumam fazer sucesso, em termos de lançar moda, são aquelas como O Clone (Rede Globo, 2001), que trouxe a moda de acessórios de origem árabe, Caminho das Índias (Rede Globo, 2009), que mostra a cultura do povo indiano, com seus casamentos arranjados e seus belos figurinos, túnicas, lenços, batas com estampas diferentes, acessórios como brinco, pulseiras e colares também estão fazendo moda. Essa moda caiu no gosto popular e as mulheres adaptaram esse estilo indiano.
Quando uma expressão curiosa surge num dado programa de televisão e passa a fazer parte da vida do telespectador, ela é chamada de bordão e é inserida na maneira de agir das pessoas. O prazer específico de usar um bordão do momento faz com que as pessoas se sintam mais familiarizadas ou identificadas com o personagem que o popularizou. Foi o que aconteceu na novela Paraíso Tropical (Rede Globa, 2007) com a prostituta Bebel, personagem interpretado por Camila Pitanga. Com seu jeito irreverente e único, sua "catiguria" vai ficar marcada na memória do público que acompanhava a novela. Em Roque Santeiro (Rede Globo, 1986), nervoso, o marcante Sinhozinho Malta (Lima Duarte) sacudia as pulseiras e dizia "Tô certo ou tô errado?". "Cada mergulho é um flash!", dizia a personagem Odete (Mara Manzan), em O Clone (Rede Globo, 2001). Também em O Clone, Solange Couto deu vida à famosa Dona Jura, e junto com ela trouxe para a telinha um dos bordões mais famosos dos folhetins. "Não é brinquedo não!", repetia constantemente a dona do bar mais famoso de São Cristóvão. Na novela Chocolate com Pimenta (Rede Globo, 2004), Márcia, vivida pela atriz Drica Moraes, criou o bordão "Sou chique, benhê!". Divertida e espevitada, a personagem Elzinha (Leandra Leal), da novela Ciranda de Pedra (Rede Globo, 2008), caiu no gosto popular. Ela era louca para arranjar um marido rico e se achar muito chique. Afinal, Elzinha é "biscoito fino". Em Senhora do Destino (Rede Globo, 2005), Giovanni Improtta (José Wilker) teve grande repercussão com dois famosos bordões “O tempo ruge, e a Sapucaí é grande” e “felomenal”. Entre tantos outros.
No Brasil, a moda das ruas é altamente influenciada pelas novelas, como será citado mais adiante, no tópico “A NOVELA COMO DISSEMINADORA E CRIADORA DE MODA”. O que aparece na telinha vira moda quase que instantaneamente, não importa o que as tendências ditem. Este é um fenômeno cultural tão presente no país que até já despertou o interesse e foi tema de pesquisas internacionais. Entre tantos podemos destacar: Giuliana (Ana Paula Arósio) com seus xales e lenços de crochê exibidos na novela Terra Nostra (Rede Globo, 1999); Bebel (Camila Pitanga) com brincos, um maior que o outro, exibidos em Paraíso Tropical (Rede Globo, 2007); Silvia (Alinne Moraes) com corte de cabelo com franja e tom castanho avermelhado na novela Duas Caras (Rede Globo, 2007).
Alguns telespectadores não separam o real da ficção, confundindo muitas vezes o ator com personagem que ele interpreta, isso fica evidente com o episódio que aconteceu com o ator Jackson Antunes. No sítio onde mora, próximo a Teresópolis, cidade da Região Serrana Fluminense, Jackson Antunes tem a tranqüilidade que gosta para levar a vida. É um homem extremamente pacífico no lidar com a família, no jeito de ser e até no de falar. Mas o senhor que o empurrou e o machucou há alguns dias em plena rua só tinha em mente o violento Leonardo, personagem que o ator interpretava na época em A Favorita (Rede Globo, 2008). Na novela, Jackson bate em Lilia Cabral, que dá vida à submissa Catarina. Mas foi na realidade que o ator sofreu as conseqüências disso. "Tive uma lesão na perna direita, gravei algumas cenas apoiado na cadeira de rodas e sentindo muita dor", resume. O desagradável episódio passou, mas o personagem continua emocionando Jackson. "Acho oportuno reerguer a discussão sobre a violência doméstica", valoriza. Ele conta que a carga de emoção nas cenas da novela é alta.
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terça-feira, 5 de julho de 2011
OS ASPECTOS NEGATIVOS DAS NOVELAS
As novelas nem sempre exercem um papel educativo, como vimos anteriormente no tópico TELENOVELAS COMO VEÍCULOS INFORMATIVOS. Muitas vezes os autores permitem que personagens que agiram mal durante a novela, descumpridores da lei, se dêem bem no fim, passando a idéia de que nada daquilo foi errado e deixando em evidência a justiça mal feita do nosso país. Isso certamente influencia algumas pessoas a agirem mal também.
Como exemplo, cito a cena de Vale Tudo (Rede Globo, 1988) que ficou na história das novelas, em que Marco Aurélio (Reginaldo Faria), vice-presidente da TCA, uma empresa de aviação, que comete diversas irregularidades como desvio de dinheiro e corrupção, foge do país num helicóptero dando “banana” para o Brasil, ao som da música “Brasil”, composta por George Israel e interpretada por Cazuza.
E por que não falar sobre Cordel Encantado (Rede Globo, 2011), novela que vem batendo recordes de ibope no seu horário (18h). A novela passa a história do cangaço semelhante à lenda de Robin Hood, na qual os cangaceiros são verdadeiros justiceiros que lutam contra os poderosos coronéis, exploradores dos pobres. Mas o que se tem registrado na história, o que se ouve dizer daqueles que viveram a época do cangaço, é que os cangaceiros até começaram o seu movimento com este ideal, mas que logo abandonaram seus valores para se tornarem assaltantes, estupradores e incendiários, abusando da violência e deixando rastros de sangue por onde passaram.
Ainda em Cordel Encantado, que se passa no fim do século 19 e início do século 20, período em que cerca de 13% da população era negra e 42%, mulata (Dados retirados da pesquisa realizada por Alberto Mussa, citada por R. V. Mattos e Silva no texto “A generalizada difusão da língua portuguesa no território brasileiro”.), só encontramos 4 artistas mulatos, que interpretam Maria Cesária (Lucy Ramos), Damião (Tony Tornado), Juca (Max Lima) e Tibungo (Land Vieira). Para onde foram todos os negros daquela época? Nenhum deles vivia no sertão nordestino? Pois, de acordo com o IBGE, o maior número de negros está na região nordeste do país.
Já em Belíssima (Rede Globo, 2005), Mateus (Cauã Reymond) rouba da própria mãe, se envolve com mulheres mais velhas interessado no dinheiro e, no fim das contas, se dá muito bem.
Em Passione (Rede Globo, 2010), Clara (Mariana Ximenes) apronta de tudo que se pode imaginar: Se passa por técnica em enfermagem e envenena o seu patrão, conquista o italiano Totó (Tony Ramos) e tenta matá-lo duas vezes para ficar com sua herança, é amante de Saulo e o mata a facadas, rouba jóias de Bete Gouveia (Fernanda Montenegro) e incrimina a empregada da casa Olga (Débora Duboc), coloca drogas ilícitas na bolsa de Diana (Carolina Dieckmann) para tirá-la do seu caminho e muitas outras coisas nada legais. Mas no fim da novela, Fred (Reynaldo Gianechini) vai preso em seu lugar e ela aparece em sua última cena com um sorriso no rosto, se passando novamente por técnica em enfermagem em outro país, dando a idéia de que começaria seus golpes novamente.
Em Insensato Coração (Rede Globo, 2011), estamos acompanhando a homossexualidade (Aprofudaremos o assunto no próximo tópico - HOMOSSEXUALIDADE). Apesar de acreditar que esta conscientização deve ser feita, que qualquer tipo de preconceito é uma verdadeira ignorância, a novela está fazendo de maneira forçada e insistente, provocando, inclusive, uma reação contrária na maioria das pessoas que entrevistei enquanto pesquisava. Na novela, os homossexuais são sempre muito simpáticos, bem sucedidos e bonitos, dando a entender que só existem gays assim. Como existem homens e mulheres ruins, negros e brancos ruins, altos e baixos ruins, gordos e magros ruins, existem também homossexuais que fazem coisas ruins. A novela poderia estar trabalhando o preconceito e a violência contra os gays de forma mais sutil e até inconsciente, já que as novelas têm esse poder. Inserir a idéia na mente das pessoas aos poucos dá um resultado melhor que exigir a mudança imediata de uma sociedade preconceituosa.
A sociedade está passando por um período complicado em relação a aceitação da homossexualidade, que está cada vez mais evidente e comum. O número de casos de agressão aos gays, praticado pelos “Pit Boys” ou “Skin Heads”, vem crescendo a cada dia. Mas existem maneiras melhores de se abordar o assunto, sem provocar esta reação contrária. Das 25 pessoas que entrevistei, 17 acreditam que a abordagem está acontecendo de forma exagerada.
Com este poder de informação, com o alcance que as novelas têm, os autores precisam ter cuidado ao desenvolver a sua história. Os vilões devem ter finais ruins.
Outra questão que gostaria de abordar neste tópico é a censura. A novela das 9, por exemplo, é censurada em 12 anos. Essa censura, porém, não funciona, já que os pais não assumem o seu papel de proibir que as crianças assistam programas impróprios para as suas idades.
Se o adulto de personalidade formada, que até passa ou já passou por situações semelhantes às que assiste nas novelas, se deixa influenciar pelos personagens e até tem alguns problemas para separar a realidade da ficção, imagina o que se passa na cabeça de uma criança ao se deparar com os vilões aprontando na TV? É extremamente necessário que os pais estejam atentos ao que seus filhos assistem.
Como exemplo, cito a cena de Vale Tudo (Rede Globo, 1988) que ficou na história das novelas, em que Marco Aurélio (Reginaldo Faria), vice-presidente da TCA, uma empresa de aviação, que comete diversas irregularidades como desvio de dinheiro e corrupção, foge do país num helicóptero dando “banana” para o Brasil, ao som da música “Brasil”, composta por George Israel e interpretada por Cazuza.
E por que não falar sobre Cordel Encantado (Rede Globo, 2011), novela que vem batendo recordes de ibope no seu horário (18h). A novela passa a história do cangaço semelhante à lenda de Robin Hood, na qual os cangaceiros são verdadeiros justiceiros que lutam contra os poderosos coronéis, exploradores dos pobres. Mas o que se tem registrado na história, o que se ouve dizer daqueles que viveram a época do cangaço, é que os cangaceiros até começaram o seu movimento com este ideal, mas que logo abandonaram seus valores para se tornarem assaltantes, estupradores e incendiários, abusando da violência e deixando rastros de sangue por onde passaram.
Ainda em Cordel Encantado, que se passa no fim do século 19 e início do século 20, período em que cerca de 13% da população era negra e 42%, mulata (Dados retirados da pesquisa realizada por Alberto Mussa, citada por R. V. Mattos e Silva no texto “A generalizada difusão da língua portuguesa no território brasileiro”.), só encontramos 4 artistas mulatos, que interpretam Maria Cesária (Lucy Ramos), Damião (Tony Tornado), Juca (Max Lima) e Tibungo (Land Vieira). Para onde foram todos os negros daquela época? Nenhum deles vivia no sertão nordestino? Pois, de acordo com o IBGE, o maior número de negros está na região nordeste do país.
Já em Belíssima (Rede Globo, 2005), Mateus (Cauã Reymond) rouba da própria mãe, se envolve com mulheres mais velhas interessado no dinheiro e, no fim das contas, se dá muito bem.
Em Passione (Rede Globo, 2010), Clara (Mariana Ximenes) apronta de tudo que se pode imaginar: Se passa por técnica em enfermagem e envenena o seu patrão, conquista o italiano Totó (Tony Ramos) e tenta matá-lo duas vezes para ficar com sua herança, é amante de Saulo e o mata a facadas, rouba jóias de Bete Gouveia (Fernanda Montenegro) e incrimina a empregada da casa Olga (Débora Duboc), coloca drogas ilícitas na bolsa de Diana (Carolina Dieckmann) para tirá-la do seu caminho e muitas outras coisas nada legais. Mas no fim da novela, Fred (Reynaldo Gianechini) vai preso em seu lugar e ela aparece em sua última cena com um sorriso no rosto, se passando novamente por técnica em enfermagem em outro país, dando a idéia de que começaria seus golpes novamente.
Em Insensato Coração (Rede Globo, 2011), estamos acompanhando a homossexualidade (Aprofudaremos o assunto no próximo tópico - HOMOSSEXUALIDADE). Apesar de acreditar que esta conscientização deve ser feita, que qualquer tipo de preconceito é uma verdadeira ignorância, a novela está fazendo de maneira forçada e insistente, provocando, inclusive, uma reação contrária na maioria das pessoas que entrevistei enquanto pesquisava. Na novela, os homossexuais são sempre muito simpáticos, bem sucedidos e bonitos, dando a entender que só existem gays assim. Como existem homens e mulheres ruins, negros e brancos ruins, altos e baixos ruins, gordos e magros ruins, existem também homossexuais que fazem coisas ruins. A novela poderia estar trabalhando o preconceito e a violência contra os gays de forma mais sutil e até inconsciente, já que as novelas têm esse poder. Inserir a idéia na mente das pessoas aos poucos dá um resultado melhor que exigir a mudança imediata de uma sociedade preconceituosa.
A sociedade está passando por um período complicado em relação a aceitação da homossexualidade, que está cada vez mais evidente e comum. O número de casos de agressão aos gays, praticado pelos “Pit Boys” ou “Skin Heads”, vem crescendo a cada dia. Mas existem maneiras melhores de se abordar o assunto, sem provocar esta reação contrária. Das 25 pessoas que entrevistei, 17 acreditam que a abordagem está acontecendo de forma exagerada.
Com este poder de informação, com o alcance que as novelas têm, os autores precisam ter cuidado ao desenvolver a sua história. Os vilões devem ter finais ruins.
Outra questão que gostaria de abordar neste tópico é a censura. A novela das 9, por exemplo, é censurada em 12 anos. Essa censura, porém, não funciona, já que os pais não assumem o seu papel de proibir que as crianças assistam programas impróprios para as suas idades.
Se o adulto de personalidade formada, que até passa ou já passou por situações semelhantes às que assiste nas novelas, se deixa influenciar pelos personagens e até tem alguns problemas para separar a realidade da ficção, imagina o que se passa na cabeça de uma criança ao se deparar com os vilões aprontando na TV? É extremamente necessário que os pais estejam atentos ao que seus filhos assistem.
HOMOSSEXUALIDADE
A homossexualidade é um assunto tratado com cada vez mais força nas telenovelas e minisséries. Mas esse assunto está nas telas há mais tempo do que se imagina.
O primeiro personagem homossexual retratado numa novela foi o Conrad Mahler (Ziembinsk), que, mesmo casado, mantinha uma relação com o garoto de programa Cauê (Buza Ferraz), na trama O Rebu (Rede Globo, 1974). Cauê acaba se apaixonando pela esposa de Conrad, que a mata por ciúme. O segundo personagem homossexual foi Henri (José Luiz Rodi), o cabeleireiro da trama O Astro (Rede Globo, 1977). Ele e Felipe (Edwin Luisi) matam o personagem Salomão Hayalla (Dionísio Azevedo). Como se pode perceber, os dois primeiros personagens gays foram relacionados à violência.
As próximas novelas retrataram os gays sempre como afeminados e as lésbicas, masculinizadas, estereotipando os indivíduos homossexuais. É o caso das novelas Dancin’ Days (Rede Globo, 1978), Os Gigantes (Rede Globo, 1979) e Brilhante (Rede Globo, 1979).
A novela Um Sonho a Mais (Rede Globo, 1985) exibiu o primeiro beijo entre dois homens, o travestido Anabela Freire (Ney Latorraca) e Pedro Ernesto (Carlos Kroeber).
Na década de 90, a novela A Próxima Vítima (Rede Globo, 1995) trouxe os personagens gays Sandrinho (André Gonçalves) e Jefferson (Lui Mendes). Este casal enfrentava ainda um outro tipo de preconceito – Sandrinho era branco e Jefferson, negro. Uma das cenas mais esperadas de toda a novela foi a que Sandrinho de revela homossexual para a sua mãe, Ana (Suzana Vieira).
Em Torre de Babel (Rede Globo, 1998), o autor Sílvio de Abreu apresentou um romance entre duas mulheres logo nos primeiros capítulos, longe de estereótipos, Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Sílvia Pfeifer). Rafaela e Leila morreram numa explosão em um shopping. Isto provocou, no mundo real, na época, um grande movimento gay contra a Igreja Católica, acusando-a de forçar a sociedade para que as lésbicas tivessem um fim trágico.
A trama Suave Veneno (Rede Globo, 1999) também deu início a um grande movimento gay, mas, desta vez, contra o personagem homossexual que nela havia, Edilberto (Luiz Carlos Tourinho). O Movimento Gay da Bahia afirmava que o personagem era muito afeminado, tornando cada vez mais forte o estereótipo atribuído aos gays.
A novela Mulheres Apaixonadas (Rede Globo, 2003) tinha o casal gay Rafaela (Paula Picarelli) e Clara (Alinne Moraes). Este foi o casal gay mais bem aceito pelo público, que torcia pelas duas meninas. Elas não se vestiam ou agiam como homens e foi isso, provavelmente, que conquistou os telespectadores.
Atualmente no ar, a novela Amor e Revolução (Rede SBT, 2011) exibiu o primeiro beijo – leia-se beijo e não “selinho” – entre duas mulheres. Ocorreu entre as personagens Marina (Giselle Tigre) e Marcela (Luciana Vendramini).
Anos antes, telenovela América (Rede Globo, 2005) gerou uma grande polêmica ao ter uma cena de beijo entre dois gays, Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro), censurada.
Nos últimos anos, tivemos mais gays afeminados em Caras & Bocas (Rede Globo, 2009) - Cássio (Marco Pigossi), que lançou a expressão “Estou rosa chiclete!” – e em Morde & Assopra (Rede Globo, 2011) – Áureo (André Gonçalves).
Já no remake da novela Ti Ti Ti (Rede Globo, 2010), tivemos diversos homossexuais retratados de muitas maneiras. Julinho (André Arteche), cabeleireiro, namorava Osmar (Gustava Leão), fotógrafo, que morreu no início da trama. Do meio para o fim da novela, Thales (Armando Babaioff), surfista bonito, rico e sem qualquer “jeito de gay”, se apaixona por Julinho. Adriano (Rafael Zulu) era super afeminado e trabalhava no mesmo lugar que Paula (Viviane Neto), namorada de Teca (Ana Paula Pedro). As duas meninas eram bem femininas e tinham uma relação estável, mas que não era aceita pela mãe de Teca, Penha (Yaçanã Martins).
Acredito que a novela Ti Ti Ti foi a primeira que retratou a homossexualidade sem impor estereótipos ou a aceitação à sociedade. Nela, o gay podia ser afeminado ou não, cabeleireiro ou não, bem sucedido ou não. O que não acontece na telenovela Insensato Coração (Rede Globo, 2011).
Nesta última, o homossexualismo vem sendo tratado de forma muito forçada, como já foi citado no tópico OS ASPECTOS NEGATIVOS DAS NOVELAS. Os personagens gays são sempre muito bem sucedidos, de boa aparência e honestos – Nelson (Edson Fieschi) é o melhor advogado do Rio de Janeiro, Roni (Leonardo Miggiorin) é um simpaticíssimo empresário, Eduardo (Rodrigo Andrade) é um rapaz super honesto que está, aos poucos, descobrindo sua homossexualidade e Hugo (Marcos Damigo) é professor de Direito na universidade.
É claro que a situação da violência que atinge os homessexuais nos dias de hoje exige uma conscientização da sociedade e, certamente, como podemos ver ao longo do trabalho, não há meio que atinja maior número de pessoas do que as novelas. Porém, essa educação tem que acontecer de forma mais sutil, mostrando sempre os dois lados.
Aliás, em toda situação, seja social, racial, de gênero, preferência sexual etc, existem os dois lados. Assim como existem brancos honestos, existem brancos desonestos. Assim como existem mulheres frágeis, existem mulheres muito fortes. Assim como existem negros pobres que sofrem do racismo, existem negros muito bem sucedidos, que por sinal existe na trama em questão como o personagem André (Lázaro Ramos).
As novelas estereotipavam os homossexuais, e isso não está certo. Mas também não está certo, de uma hora para a outra, os gays serem as melhores pessoas que existem no mundo. É preciso dosar o bom e o ruim, a caricatura e o real, para dar ao público uma visão mais justa sobre a homossexualidade.
O primeiro personagem homossexual retratado numa novela foi o Conrad Mahler (Ziembinsk), que, mesmo casado, mantinha uma relação com o garoto de programa Cauê (Buza Ferraz), na trama O Rebu (Rede Globo, 1974). Cauê acaba se apaixonando pela esposa de Conrad, que a mata por ciúme. O segundo personagem homossexual foi Henri (José Luiz Rodi), o cabeleireiro da trama O Astro (Rede Globo, 1977). Ele e Felipe (Edwin Luisi) matam o personagem Salomão Hayalla (Dionísio Azevedo). Como se pode perceber, os dois primeiros personagens gays foram relacionados à violência.
As próximas novelas retrataram os gays sempre como afeminados e as lésbicas, masculinizadas, estereotipando os indivíduos homossexuais. É o caso das novelas Dancin’ Days (Rede Globo, 1978), Os Gigantes (Rede Globo, 1979) e Brilhante (Rede Globo, 1979).
A novela Um Sonho a Mais (Rede Globo, 1985) exibiu o primeiro beijo entre dois homens, o travestido Anabela Freire (Ney Latorraca) e Pedro Ernesto (Carlos Kroeber).
Na década de 90, a novela A Próxima Vítima (Rede Globo, 1995) trouxe os personagens gays Sandrinho (André Gonçalves) e Jefferson (Lui Mendes). Este casal enfrentava ainda um outro tipo de preconceito – Sandrinho era branco e Jefferson, negro. Uma das cenas mais esperadas de toda a novela foi a que Sandrinho de revela homossexual para a sua mãe, Ana (Suzana Vieira).
Em Torre de Babel (Rede Globo, 1998), o autor Sílvio de Abreu apresentou um romance entre duas mulheres logo nos primeiros capítulos, longe de estereótipos, Rafaela (Christiane Torloni) e Leila (Sílvia Pfeifer). Rafaela e Leila morreram numa explosão em um shopping. Isto provocou, no mundo real, na época, um grande movimento gay contra a Igreja Católica, acusando-a de forçar a sociedade para que as lésbicas tivessem um fim trágico.
A trama Suave Veneno (Rede Globo, 1999) também deu início a um grande movimento gay, mas, desta vez, contra o personagem homossexual que nela havia, Edilberto (Luiz Carlos Tourinho). O Movimento Gay da Bahia afirmava que o personagem era muito afeminado, tornando cada vez mais forte o estereótipo atribuído aos gays.
A novela Mulheres Apaixonadas (Rede Globo, 2003) tinha o casal gay Rafaela (Paula Picarelli) e Clara (Alinne Moraes). Este foi o casal gay mais bem aceito pelo público, que torcia pelas duas meninas. Elas não se vestiam ou agiam como homens e foi isso, provavelmente, que conquistou os telespectadores.
Atualmente no ar, a novela Amor e Revolução (Rede SBT, 2011) exibiu o primeiro beijo – leia-se beijo e não “selinho” – entre duas mulheres. Ocorreu entre as personagens Marina (Giselle Tigre) e Marcela (Luciana Vendramini).
Anos antes, telenovela América (Rede Globo, 2005) gerou uma grande polêmica ao ter uma cena de beijo entre dois gays, Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro), censurada.
Nos últimos anos, tivemos mais gays afeminados em Caras & Bocas (Rede Globo, 2009) - Cássio (Marco Pigossi), que lançou a expressão “Estou rosa chiclete!” – e em Morde & Assopra (Rede Globo, 2011) – Áureo (André Gonçalves).
Já no remake da novela Ti Ti Ti (Rede Globo, 2010), tivemos diversos homossexuais retratados de muitas maneiras. Julinho (André Arteche), cabeleireiro, namorava Osmar (Gustava Leão), fotógrafo, que morreu no início da trama. Do meio para o fim da novela, Thales (Armando Babaioff), surfista bonito, rico e sem qualquer “jeito de gay”, se apaixona por Julinho. Adriano (Rafael Zulu) era super afeminado e trabalhava no mesmo lugar que Paula (Viviane Neto), namorada de Teca (Ana Paula Pedro). As duas meninas eram bem femininas e tinham uma relação estável, mas que não era aceita pela mãe de Teca, Penha (Yaçanã Martins).
Acredito que a novela Ti Ti Ti foi a primeira que retratou a homossexualidade sem impor estereótipos ou a aceitação à sociedade. Nela, o gay podia ser afeminado ou não, cabeleireiro ou não, bem sucedido ou não. O que não acontece na telenovela Insensato Coração (Rede Globo, 2011).
Nesta última, o homossexualismo vem sendo tratado de forma muito forçada, como já foi citado no tópico OS ASPECTOS NEGATIVOS DAS NOVELAS. Os personagens gays são sempre muito bem sucedidos, de boa aparência e honestos – Nelson (Edson Fieschi) é o melhor advogado do Rio de Janeiro, Roni (Leonardo Miggiorin) é um simpaticíssimo empresário, Eduardo (Rodrigo Andrade) é um rapaz super honesto que está, aos poucos, descobrindo sua homossexualidade e Hugo (Marcos Damigo) é professor de Direito na universidade.
É claro que a situação da violência que atinge os homessexuais nos dias de hoje exige uma conscientização da sociedade e, certamente, como podemos ver ao longo do trabalho, não há meio que atinja maior número de pessoas do que as novelas. Porém, essa educação tem que acontecer de forma mais sutil, mostrando sempre os dois lados.
Aliás, em toda situação, seja social, racial, de gênero, preferência sexual etc, existem os dois lados. Assim como existem brancos honestos, existem brancos desonestos. Assim como existem mulheres frágeis, existem mulheres muito fortes. Assim como existem negros pobres que sofrem do racismo, existem negros muito bem sucedidos, que por sinal existe na trama em questão como o personagem André (Lázaro Ramos).
As novelas estereotipavam os homossexuais, e isso não está certo. Mas também não está certo, de uma hora para a outra, os gays serem as melhores pessoas que existem no mundo. É preciso dosar o bom e o ruim, a caricatura e o real, para dar ao público uma visão mais justa sobre a homossexualidade.
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